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INPI e NOVA Medical School organizaram evento "Mulheres na Liderança da Inovação e da PI"

O evento Mulheres na Liderança da Inovação e da Propriedade Industrial, organizado pelo INPI e pela NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas, reuniu cerca de 70 participantes num encontro dedicado ao papel da liderança feminina nos sistemas de inovação e a importância da PI.
27 mar 2026, 15:49
INPI e NOVA Medical School organizaram evento Mulheres na Liderança da Inovação e da PI
INPI e NOVA Medical School organizaram evento Mulheres na Liderança da Inovação e da PI

A sessão de abertura do encontro Mulheres na Liderança da Inovação e da Propriedade Industrial, que ontem decorreu nas instalações da NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas, contou com as intervenções da Presidente do Conselho Diretivo do INPI, Ana Bandeira, e da Sub-diretora para a Investigação da NOVA Medical School, Paula Macedo. A responsável pela área da investigação da Faculdade de Ciências Médicas começou por sublinhar os desafios que persistem em relação à igualdade de oportunidades e plena valorização do talento feminino no ecossistema da inovação. Apesar desta ser uma realidade que se está a alterar, com a crescente afirmação das mulheres “na ciência, na tecnologia e na criação de valor”, referiu. Durante a sua intervenção, Paula Macedo destacou também o papel da Propriedade Industrial (PI) “enquanto instrumento estratégico de proteção e valorização do conhecimento” e salientou que “promover a participação ativa das mulheres neste domínio significa reforçar a qualidade da inovação, ampliar perspetivas e garantir soluções mais inclusivas e sustentáveis.”

A Presidente do Conselho Diretivo do INPI referiu a sua própria experiência, enquanto engenheira química licenciada na década de 80, no âmbito da reflexão sobre a importância e evolução das mulheres na liderança, nas Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas, assim como na Propriedade Industrial. Ana Bandeira aproveitou a ocasião para salientar os resultados de Portugal enquanto líder do ranking europeu das mulheres na atividade inventiva, de acordo com dados recentemente divulgados pelo Instituto Europeu de Patentes no estudo Women in STEM. “De acordo com um recente Estudo do Observatório do Instituto Europeu de Patentes (…) a participação das mulheres na atividade inventiva em Portugal atingiu 29,3% no período 2018-2022, colocando o país em primeiro lugar a nível europeu, com mais de 10 pontos percentuais acima da média europeia". Acrescentou ainda que Portugal ocupa o segundo lugar na taxa de mulheres fundadoras entre as start-ups a nível europeu. Ana Bandeira deu ainda como exemplo da evolução do papel das mulheres no ecossistema da inovação a realidade do próprio INPI, onde atualmente “66% dos trabalhadores são mulheres e 57% dos postos de direção estão ocupados por mulheres.”

O retrato sobre a presença feminina na NOVA Medical School foi traçado pela Vice-Reitora para a Inovação, Criação de Valor e Assuntos Globais da Universidade Nova de Lisboa, Isabel Rocha, que salientou o impacto que a instituição de Ensino Superior tem  na sociedade no decurso da sua atividade nas áreas da investigação e da inovação.  Um dos indicadores que destacou foi a importância da Propriedade Intelectual, em particular o valor determinante das patentes para a inovação na área da saúde. Sublinhou que “o número de patentes traduz a atividade inventiva que existe dentro de uma instituição. E nós temos tido um crescimento espantoso. Há 10 anos tínhamos meia dúzia de patentes.”

Resultados positivos para os quais tem contribuído a criação, através de protocolo com o INPI, do Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial (GAPI) nesta faculdade, o InnoValue. A Nova Medical School foi a primeira faculdade de Medicina do país a ter esta iniciativa. Isabel Rocha lembrou ainda o trabalho feito por todos os GAPI que existem na Universidade NOVA de Lisboa, “os grandes responsáveis por um aumento absolutamente excecional do número de patentes que temos”.

Um outro indicador que mereceu destaque durante a apresentação de Isabel Rocha foi o facto de 55% dos inventores da Universidade NOVA serem mulheres. “Muito à frente daquilo que é a média em Portugal”, com “60% dos investigadores e 50% de docentes são mulheres”, acrescentou.
Em relação ao empreendedorismo, os números invertem, sendo uma das causas identificadas o facto das mulheres terem menos oportunidades do que os homens na captação de financiamento para start-ups, exemplificou.

Ilja Rudyk, do Instituto Europeu de Patentes, (IEP) participou online com a apresentação A Desigualdade de Género no Ecossistema Europeu da Inovação. O economista elencou um conjunto de estatísticas sobre a participação das mulheres na atividade inventiva tendo por base dados do IEP. Um dos resultados apresentados revela que as mulheres estão cada vez mais presentes nas equipas de inventores, com uma representação de cerca de 24,1%.
O especialista do IEP destacou ainda o número de inventoras em Portugal, já referido por Ana Bandeira. Em relação aos dados relativos a mulheres fundadoras de start-ups, apenas 13,5% das startups com patentes nos países da IEP incluem uma mulher fundadora. Neste contexto europeu, Portugal posiciona-se, novamente, acima da média. No entanto, os números reduzidos prendem-se, também a nível europeu, com a dificuldade de captação de financiamento por parte das mulheres Uma das principais conclusões do estudo do IEP Women in STEM, citado por Ilja Rudyk, é que a participação feminina na atividade inventiva está a aumentar, mas de forma gradual.

O evento encerrou com uma mesa-redonda com o mote: Liderança, decisão e propriedade industrial: quem molda o futuro da inovação?, que reuniu um painel de profissionais provenientes de diferentes sectores, que tiveram a oportunidade de partilhar experiências, desafios e boas práticas nas áreas da ciência, da inovação e da propriedade industrial. Moderada por Paula Macedo, participaram nesta mesa-redonda Andreia Ribeiro Guimarães, diretora de Desenvolvimento Clínico da BIAL, Marta Passadouro, responsável em Portugal da EIT Health InnoStars, e Vera Moura, diretora da Basinnov Life Sciences, que partilharam experiências, desafios e boas práticas relacionados com a presença feminina no ecossistema da inovação em Portugal. No final, destacaram a importância destas iniciativas para reconhecer o percurso feito e contribuir para o acelerar da mudança necessária no reforço da presença das mulheres na inovação, liderança e PI.

Uma iniciativa no âmbito do Ciclo "Conversas Com..." criado pelo INPI para promover a reflexão e o debate de temas relevantes e atuais sobre Propriedade Industrial.