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OEP e OCDE lançam estudo sobre tecnologias quânticas

As tecnologias quânticas estão a crescer a um ritmo sem precedentes, mas a sua adoção comercial continua lenta e marcada por desafios significativos, revela o novo estudo publicado pela Organização Europeia de Patentes (OEP) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
17 dez 2025, 15:47
OEP e OCDE lançam estudo sobre tecnologias quânticas
OEP e OCDE lançam estudo sobre tecnologias quânticas

As tecnologias quânticas têm o potencial de transformar a forma como processamos informação, comunicamos e medimos o mundo que nos rodeia, com aplicações que vão da defesa à saúde. Estas tecnologias estão a crescer a um ritmo sem precedentes, tendo o número de famílias de patentes internacionais (FPI) aumentado cinco vezes na última década.

No entanto, a sua adoção comercial continua lenta e marcada por desafios significativos, revela o novo estudo publicado pela Organização Europeia de Patentes (OEP) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Com o mercado global projetado para atingir 93 mil milhões de euros até 2035[1], o relatório alerta para a necessidade urgente de estratégias de escala que permitam à Europa transformar o seu dinamismo científico em liderança de mercado.

O estudo faz parte do plano de trabalho bienal do Observatório da OEP sobre Patentes e Tecnologia e o seu lançamento coincide com o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas das Nações Unidas.

“As tecnologias quânticas têm um enorme potencial, mas ainda estão nas fases iniciais de desenvolvimento,” afirma António Campinos, presidente da OEP. “Como este estudo e o relatório de Draghi evidenciam, a União Europeia tem margem para reforçar o seu investimento em quântica, sobretudo quando comparada com países líderes como os Estados Unidos. O financiamento privado é agora essencial para transformar a investigação de base em produtos comercializáveis e os governos devem priorizar esta necessidade”.

De acordo com o estudo, o número de famílias de patentes internacionais (um conjunto de pedidos de patente apresentados em vários países para a mesma invenção) no domínio quântico quintuplicou na última década. O relatório identifica três grandes subsectores: comunicação quântica, computação quântica (incluindo simulação) e sensores quânticos. A comunicação quântica registou o maior número de FPI até 2022. No entanto, foi a computação quântica que apresentou o crescimento mais acelerado de FPI, aumentando quase 60 vezes desde 2005 e devendo, por isso, tornar-se o maior campo do ecossistema quântico.

No total, entre 2005 e 2024, foram geradas cerca de 9 740 FPI relacionadas com a quântica.

Os Estados Unidos lideram, seguidos pela Europa, Japão, China e República da Coreia. Na Europa, os três principais países em número de patentes quânticas são Alemanha, Reino Unido e França. A região está também a assistir ao surgimento de startups dinâmicas, como as francesas C12 e PASQAL, que são apresentadas no relatório como estudos de caso, embora muitas destas empresas enfrentem desafios no acesso ao financiamento e na capacidade de crescimento.

O ecossistema quântico atual é composto por mais de 4 500 empresas, das quais menos de 1 000 são empresas core (cerca de 20%), isto é, dedicadas exclusivamente às tecnologias quânticas. Estas empresas são tipicamente startups e dependem fortemente de investimento inicial e financiamento público. No entanto, são as empresas que não têm a quântica como atividade principal (80%) que respondem pela maioria das patentes e pela criação de emprego no setor, estando também melhor posicionadas para comercializar estas tecnologias.

A Europa acolhe um dos maiores aglomerados mundiais de empresas dedicadas exclusivamente a tecnologias quânticas, registando percentagens próximas de 40% em países como o Reino Unido, os Países Baixos e a França. Este cenário contrasta com o dos Estados Unidos (20%), onde a proporção de empresas core é menor e existe uma maior presença de gigantes tecnológicas.

Os cinco principais requerentes de FPI entre 2005 e 2024 foram: IBM, LG, Toshiba, Intel e Microsoft. Empresas europeias como a IQM Finland e a Robert Bosch também figuram entre os principais requerentes nas áreas de computação e deteção, respetivamente. Quatro das cinco melhores universidades com mais FPI [SAA1] quânticas são dos Estados Unidos, lideradas pelo MIT e Harvard. O CNRS destaca-se como a única instituição pública europeia a constar entre os 20 maiores requerentes.

Segundo o estudo, a colaboração entre organizações públicas de investigação, startups e grandes empresas assume uma importância crescente para a inovação quântica. O setor enfrenta também desafios, como o aumento da concentração e dependência das cadeias de abastecimento globais de componentes críticos. As empresas quânticas precisam ainda de garantir competências técnicas altamente especializadas, bem como promover a integração de competências transversais essenciais para acelerar os esforços de comercialização.

​Principais conclusões:

  • Cerca de 80% das empresas do setor não têm a tecnologia quântica como atividade principal
  • A Europa destaca-se pela comunidade dinâmica de startups nesta área, mas fica atrás na captação de financiamento e na capacidade de expansão
  • Um dos maiores aglomerados mundiais de empresas de tecnologias quânticas situa-se na Europa, com o Reino Unido, os Países Baixos e França na liderança


[1] McKinsey & Company, Quantum Technology Monitor, 2025


 [SAA1]FPI