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Universo PI - UTAD e INPI: Construir o Futuro sem Esquecer Quem Somos

No âmbito do 48.º aniversário do INPI, celebrado em 2024, lançámos no LinkedIn a rubrica “Universo PI”. Nesta edição, partilhamos o testemunho de Jaime Sampaio, Vice-Reitor para a Investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
11 fev 2026, 16:16
Universo PI - UTAD e INPI: Construir o Futuro sem Esquecer Quem Somos
Universo PI - UTAD e INPI: Construir o Futuro sem Esquecer Quem Somos

Num mundo onde a inteligência artificial redesenha os limites do possível e onde a globalização tende a uniformizar culturas e saberes, a propriedade intelectual emerge não apenas como um instrumento legal, mas como guardiã da identidade coletiva e motor da inovação responsável.

Na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a investigação científica não se afasta das raízes - pelo contrário, alimenta-se delas. O conhecimento tradicional transforma-se em inovação aplicável, permitindo que variedades autóctones encontrem novos mercados e que o saber-fazer transmitido entre gerações ganhe valor económico sem perder a sua essência.

É nesta encruzilhada entre o local e o global, entre o ancestral e o inovador, que a parceria entre a UTAD e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) se torna essencial. O INPI é o facilitador que transforma investigação em valor económico, assegurando que a inovação portuguesa é reconhecida e valorizada globalmente.

Portugal é um verdadeiro laboratório natural de biodiversidade e tradições. Quando essa riqueza se combina com investigação científica de excelência, o resultado é valor diferenciador. Na UTAD, esta visão concretiza-se nas suas unidades de investigação, que abrangem áreas onde a propriedade intelectual pode gerar impacto real: da ciência animal à química, do desporto ao desenvolvimento territorial, da tecnologia agroalimentar aos estudos culturais.

Na área veterinária e da produção animal, a investigação vai desde terapias inovadoras a soluções para a saúde em explorações pecuárias. Este trabalho gera conhecimento que pode dar origem a novos protocolos e métodos passíveis de proteção. Paralelamente, promove-se a preservação de raças autóctones, valorizando a biodiversidade doméstica através de certificações de origem e indicações geográficas.

No setor agroalimentar, a investigação em viticultura, olivicultura e outras produções tradicionais cruza-se naturalmente com as denominações de origem. O vinho do Porto é apenas um exemplo simbólico, pois há todo um universo de produtos regionais que merecem proteção e valorização através da propriedade intelectual.

Na área do desporto, desenvolvem-se estudos sobre os efeitos do exercício na promoção da saúde e criam-se plataformas inteligentes de análise do rendimento que estão a transformar as práticas profissionais. Na química, investigam-se novos compostos e processos com elevado potencial de patenteamento. Mesmo nas humanidades, o estudo do património cultural e linguístico contribui para a preservação de saberes tradicionais que podem ser protegidos como propriedade intelectual coletiva.

O desenvolvimento territorial, por sua vez, mostra como a PI pode ser instrumento de coesão, fixando populações e criando valor económico nas regiões do interior. Aqui, a colaboração entre a UTAD e o INPI é decisiva, ajudando a transformar descobertas em ativos que fortalecem a economia regional e nacional.

A propriedade intelectual é o meio que permite valorizar economicamente o que torna Portugal único, ao mesmo tempo que financia a investigação que manterá o país relevante no futuro. Inovação e tradição não são opostos, mas parceiros inseparáveis.

São, por isso, fundamentais programas que facilitem o registo de patentes académicas, ações de formação que capacitem os investigadores a pensar estrategicamente sobre PI e iniciativas que aproximem o conhecimento gerado nas universidades das necessidades reais das empresas portuguesas.

Portugal vencerá a corrida global pela singularidade, pela autenticidade e pela capacidade de combinar tradição com inovação. A propriedade intelectual permite ser global sem deixar de ser português; ser inovador sem deixar de ser autêntico. É neste equilíbrio que universidades como a UTAD e instituições como o INPI se encontram, trabalhando para um futuro onde tecnologia e humanismo caminham lado a lado.

Jaime Sampaio
Vice-Reitor para a Investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.