Investimento em ativos intangíveis ultrapassou os 10 biliões de dólares a nível mundial
O investimento mundial em ativos intangíveis ultrapassou, pela primeira vez, os 10 biliões de dólares em 2025. Em Portugal, este investimento atingiu 51,6 mil milhões de dólares, segundo o relatório World Intangible Investment Highlights 2026, publicado pela OMPI e pela Luiss Business School.
Investimento em ativos intangíveis ultrapassou os 10 biliões de dólares a nível mundial
A terceira edição do Relatório World Intangible Investment Highlights 2026, conclui que o investimento em ativos intangíveis cresceu, em média, 5,5% ao ano entre 2020 e 2025, enquanto o investimento em ativos tangíveis registou um crescimento de 3,2%. Atualmente, os ativos intangíveis representam cerca de 13% do PIB das economias analisadas, evidenciando o papel crescente de ativos como software, dados, investigação e desenvolvimento (I&D), marcas, design e capital organizacional na criação de valor económico.
O World Intangible Investment Highlights 2026 mostra que, desde 2008, o investimento em ativos intangíveis tem crescido a um ritmo mais de três vezes superior ao do investimento em ativos tangíveis, ultrapassando os 10 biliões de dólares em 2025. Em termos absolutos, os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha lideram o investimento em ativos intangíveis. Quando analisada a intensidade deste investimento em relação à dimensão da economia, destacam-se a Suécia, os Estados Unidos e a França. Já os países que registaram os crescimentos mais rápidos foram a Índia, o Japão e as Filipinas. O relatório destaca ainda o papel da inteligência artificial (IA) na transformação dos padrões de investimento.
Em Portugal, o investimento em ativos intangíveis atingiu 51,6 mil milhões de dólares em 2025, o que corresponde a 9,7% do PIB nacional. Nos últimos dez anos (2015-2025), de acordo com o relatório, o crescimento médio anual do investimento intangível em Portugal foi de 2,9%, abaixo dos 4,6% verificados nos ativos tangíveis. Esta realidade coloca Portugal entre as economias de rendimento elevado onde, na última década, o crescimento do investimento tangível superou o crescimento do investimento intangível, tal como aconteceu com Itália, Letónia, Países Baixos e Eslovénia.
Entre os diferentes tipos de ativos intangíveis, o relatório identifica o software e as bases de dados como a categoria com crescimento mais rápido em Portugal, com uma taxa média de 5,3% entre 2013 e 2023. Seguem-se o design, com um crescimento de 5,1%, e a investigação e desenvolvimento (I&D), com 4,2%.
Quanto à composição do investimento intangível nacional, o capital organizacional representa a maior parcela, correspondendo a 27% do total investido em 2023. Seguem-se as marcas (19%) e o software e bases de dados (18%). O relatório refere ainda que 61,4% do investimento total em ativos intangíveis em Portugal não é captado pelas estatísticas oficiais.
Os dados apresentados reforçam a relevância crescente do investimento da propriedade industrial para a competitividade das empresas e para o crescimento económico a nível nacional e global.