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Pedidos de patentes em Portugal triplicam na última década

Os pedidos apresentados por empresas e instituições portuguesas junto do Instituto Europeu de Patentes aumentaram mais de 20 por cento em 2019.
12 mar 2020, 09:35
IEP - Pedidos de patentes com origem em Portugal aumentam 23 por cento  em 2019
IEP - Pedidos de patentes com origem em Portugal aumentam 23 por cento  em 2019

Os pedidos de patente com origem em Portugal junto do Instituto Europeu de Patentes (IEP) aumentaram 23,1% em 2019, o segundo ano consecutivo de crescimento acentuado (com um crescimento de 47,3% em 2018), depois de, em 2017, ter havido um decréscimo nos pedidos de patente (-4,5%), de acordo com o Index de Patentes de 2019 publicado hoje.

No ano passado, as empresas, instituições de investigação e universidades portuguesas apresentaram 272 pedidos de patente junto do Instituto Europeu de Patentes (em 2018 foram apresentadas 221), o número mais alto de sempre. Na última década, os pedidos de patente com origem em Portugal junto do IEP mais do que triplicaram (+236%). (ver gráfico “Crescimento dos pedidos de patentes portugueses no IEP ”).

“É com agrado que assisto ao crescimento substancial dos pedidos de patente com origem em Portugal, o que demonstra que o país continua a aumentar a sua capacidade de investigação, desenvolvimento e inovação”, afirmou o presidente do EPO, António Campinos. “A utilização de patentes é essencial para tornar as empresas portuguesas mais competitivas e é um pré-requisito para a criação de empregos. É particularmente admirável a contribuição das universidades portuguesas e das instituições de investigação para o aumento dos pedidos de patente.”

No total, o IEP recebeu mais de 181 000 pedidos de patente em 2019, o que representa uma subida de 4% em relação a 2018 e um novo recorde (ver gráfico “Crescimento dos pedidos de patentes europeus”). Cerca de 45% dos pedidos de patente junto do IEP tiveram origem nos 38 estados membros desta entidade e 55% foram oriundos de outras regiões. No top cinco dos pedidos de patente ficaram os Estados Unidos da América (25% do total de pedidos), seguidos da Alemanha (15%), Japão (12%), China (7%) e França (6%) (ver gráfico “Top 50 dos países requerentes”). A subida dos pedidos de patente junto do IEP, em 2019, deveu-se sobretudo a um forte crescimento dos pedidos com origem na China, Estados Unidos da América e Coreia do Sul. O aumento de pedidos de patente nos campos da comunicação digital e tecnologia informática foi outra tendência evidente, refletindo a importância crescente de tecnologias ligadas à transformação digital.

O crescimento dos pedidos de patente com origem em Portugal deve-se sobretudo ao crescimento significativo em 10 das 15 áreas tecnológicas de maior importância no país. A tecnologia médica foi a área com um maior número de pedidos de patente em 2019 (22 pedidos de patente, +83,3%), seguida das áreas de farmacêutica (19 pedidos de patente, +35,7%) e “mobiliário, jogos” (18 pedidos de patente, 50%). Os crescimentos mais significativos de pedidos de patente registaram-se nas áreas de “tecnologias de informação para gestão”, que subiu de um para dez pedidos, “controlo (de maquinaria)”, que também subiu de um para dez pedidos, e “maquinaria elétrica, dispositivos, energia” que subiu de quatro para 14 pedidos.


Três instituições de investigação e universidades no top 5 de
instituições nacionais que apresentaram pedidos de patente

Em Portugal, foram a Novadelta-Comércio e Industria de Cafés e a Universidade de Évora que apresentaram um maior número de pedidos de patente junto do Instituto Europeu de Patentes em 2019 (ambas com 16 pedidos de patente), seguidas da A4TEC (Association for the Advancement of Tissue Engineering and Cell Based Technologies & Therapies) com 15 pedidos de patente, do Modelo Continente Hipermercados (com 10 pedidos) e do INESC Porto, o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (com 7 pedidos). Ao contrário do que acontece na maior parte dos países europeus, em Portugal há três laboratórios de investigação e instituições académicas no top 5 dos pedidos de patente. (ver gráfico “Top de requerentes portugueses ao IEP em 2019”) Isto reforça a importância das patentes europeias na proteção dos investimentos feitos em investigação e desenvolvimento pelas instituições académicas.


Região Norte com o maior número de pedidos de patente, Lisboa lidera o ranking das cidades

Uma vez mais, a região Norte lidera o ranking regional de pedidos de patente em Portugal, representando 46% do total dos pedidos (face aos 40,5% de 2018). Seguem-se a cidade Lisboa (que subiu de 18,2% para 21,7%) e a região Centro (que neste caso desceu de 29,5% para 16,5%). No ranking das cidades, a área metropolitana de Lisboa ficou na liderança com 37 pedidos de patente (face aos 26 de 2018), seguida do Porto (que subiu de 23 para 36 pedidos).


Panorâmica dos pedidos de patente junto do Instituto Europeu de Patentes: 5G e Inteligência Artificial impulsionam o crescimento

Entre as áreas tecnológicas principais, foi a comunicação digital que, pela primeira vez em mais de uma década, liderou os pedidos de patente junto do Instituto Europeu de Patentes. Atingiu o maior crescimento em 2019 (+19,6% em relação a 2018), ultrapassando a área de tecnologia médica (+0,9%) que era desde 2006 a que mais pedidos de patente registava (ver gráfico “Principais áreas tecnológicas”).

Na comunicação digital, onde se incluem as tecnologias necessárias para a implementação de redes wireless 5G, a percentagem de pedidos de patente com origem na China, Estados Unidos da América e Europa foram muito semelhantes, com cada um dos países a representar cerca de ¼ do total de pedidos. Com um aumento de 64,6%, foram as empresas chinesas as que mais contribuíram para o crescimento nesta área. Em segundo lugar ficou a tecnologia informática (+10,2%). Aqui, o principal fator de crescimento foi a subida de pedidos de patente relacionados com inteligência artificial. As empresas norte-americanas foram responsáveis por cerca de 40% dos pedidos na área de tecnologia informática (+14,6% do que em 2018), seguidas dos 38 estados membros do Instituto Europeu de Patentes (+9,3%), com quase 30% do total, e da China (+18,7%) que representou cerca de 10% do total de pedidos nesta área.


Tendências europeias: Abrandam os pedidos de patente com origem em França, ao passo que em Portugal e Espanha se regista um crescimento

Tal como em Portugal, também entre outros estados membros do Instituto Europeu de Patentes os pedidos de patente registaram subidas, como foi o caso daqueles com origem na Suécia (+8%), no Reino Unido (+6,9%) e em Espanha (+6%), que cresceram significativamente em 2019, comparativamente a 2018. Os pedidos com origem na Alemanha mantiveram-se estáveis (+0.5%) e houve um decréscimo nos pedidos com origem em França (-2,9%), nos Países Baixos (-2,6%) e na Finlândia (-1,4%).


Huawei na liderança dos pedidos de patente

A Huawei ficou em primeiro lugar no ranking de empresas que solicitaram patentes junto do IEP em 2019. A Samsung e a LG posicionaram-se, respetivamente, em segundo e terceiro lugar. A seguir às duas empresas sul-coreanas ficaram a americana United Technologies e a Siemens, que liderou os pedidos de patente em 2018, desceu para quinto lugar.

Para estatísticas detalhadas, consultar: Patent Indicators 2019 em www.epo.org/patent-index2019