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Relatório Mundial sobre Propriedade Intelectual 2026

O ritmo da difusão da inovação está a atingir níveis históricos e as diferenças entre países estão a diminuir, são estas as principais conclusões do Relatório Mundial sobre Propriedade Intelectual 2026: Tecnologia em Movimento, lançado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual.
18 fev 2026, 17:30
Relatório Mundial sobre Propriedade Intelectual 2026
Relatório Mundial sobre Propriedade Intelectual 2026

O Relatório Mundial sobre Propriedade Intelectual 2026: Tecnologia em Movimento, ontem publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, revela que as novas tecnologias estão a difundir-se a nível global a um ritmo sem precedentes e as diferenças na intensidade com que os países utilizam essas inovações estão a diminuir.

O relatório baseia-se em 250 anos de dados históricos sobre utilização de tecnologia e em cinco décadas de dados de patentes e publicações científicas para identificar mudanças que estão a redefinir a dinâmica global da inovação e a transformar oportunidades económicas. O documento sublinha o papel dos decisores políticos, que devem concentrar-se tanto na promoção da invenção como na difusão tecnológica.

Principais conclusões

  • De atrasos na adoção à difusão em tempo real

Tecnologias históricas, como o telégrafo e o automóvel, demoraram décadas a alcançar mercados globais. Em contraste, as economias globais interligadas com uma infraestrutura digital madura permitem hoje o acesso quase imediato a inovações em todo o mundo. O relatório indica ainda que o mundo está a entrar numa era em que ideias tecnológicas circulam mais rapidamente do que no passado e em que as tecnologias digitais podem chegar a utilizadores de praticamente qualquer país em dias, em vez de décadas.

  • Convergência na utilização

Economias desenvolvidas continuam a surgir como adotantes precoces, mas a vantagem histórica, que chegava a 20 - 80 anos, tem diminuído. Tecnologias recentes mostram convergência entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento. O relatório conclui que tecnologias mais recentes revelam rápida convergência, tanto na velocidade de adoção como na intensidade de utilização. O continente asiático está em destaque, com alguns países a utilizarem certas tecnologias digitais de forma mais intensiva do que economias avançadas, invertendo padrões históricos.

  • Fluxo de conhecimento mais rápido

A análise de citações de patentes mostra que os fluxos internacionais de conhecimento duplicaram a sua velocidade nos últimos 50 anos. Até 2020, a diferença temporal entre citações de patentes nacionais e internacionais praticamente desapareceu, sinalizando que a geografia já não constitui uma barreira significativa à disseminação global de ideias. Apesar desta troca acelerada além-fronteiras, a transição da descoberta científica para a inovação continua a exigir tempo, demorando em média cerca de uma década.

De acordo com o documento, a liderança em inovação permanece altamente concentrada, com destaque para os Estados Unidos, a Europa Ocidental e o Japão, enquanto a China assume um papel cada vez mais relevante.

O relatório identifica quatro fatores que determinam a rapidez e a amplitude com que as tecnologias se difundem: as características da tecnologia, os fluxos de informação, a capacidade de absorção e as políticas públicas e sistemas de PI.

Este relatório analisa ainda três casos de estudo para revelar dinâmicas de difusão tecnológica nas áreas agrícola, das tecnologias limpas e das tecnologias digitais.

O relatório sublinha também que promover a invenção isoladamente não basta. É necessário criar condições que favoreçam uma ampla difusão: investimento em infraestruturas, capital humano, financiamento, regulação adequada e sistemas de PI equilibrados.

Em síntese, a difusão tecnológica acelerou significativamente e mostra sinais de convergência, mas o aproveitamento pleno do potencial das novas tecnologias exige ação política deliberada e coordenada para superar lacunas persistentes.

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